O latim entrou no nosso juízo por causa das missas. A gente pode até não entender nadica de nada de latim, mas sempre se alerta quando ouve um “Dominus vobiscum” bem pronunciado. E latim traz aquela coisa de “sagrado”, aquele negócio sério que faz todo cidadão com mais de cinquentinha tirar o chapéu e se benzer. O cabra pode até não tirar o chapéu, mas que ele vai pensar em tirar, vai sim.
Eu me lembro quando lá pelos dezoito anos comecei a me comportar como um iconoclasta convicto. Sabe, aquele negócio de atacar as crenças consagradas ou instituições veneradas, como a igreja, ou qualquer tradição. Já tocava um violão razoável – eu era bem convencido mesmo. Eu era tão convencido que precisou eu ver a “bossa-nova”, o João Gilberto tocando, ou a galera de Minas no Clube da Esquina – que o Franzé me mostrou – para botar os pés no chão e me sentir medíocre. Fiquei bem franciscano uns tempos aí. Porém, umas revistinhas de música “Vigu – violão e guitarra” mais uns recortes espertos da coluna do Oldemário Touguinhó no JB que o Edvar me arranjou, me salvaram do inferno da pequenez.
Cara, era cada coisa a mais esperta.
As revistinhas traziam o arranjo cifrado de muitas músicas e os recortes do JB eram da MPB mais pura! Foi um farra. Me esbaldei. Toquei “Desafinado” do João Gilberto, “Eu e a brisa” do Johnny Alf, “Apelo” e “Eu sei que vou te amar” do Vinicio de Moral (Eu chamo ele assim porque esse cara é singular demais para falarmos o nome em plural).
Pense! Voltei a me orgulhar num instante... O orgulho, minha gente, é que nem ferida braba, basta comer ova de curimatã que a chaga supura e volta de novo! Só o Cordeiro de Deus para ter piedade de nós mesmo. Ou melhor, só um “Agnus Dei qui tollis peccata mundi" para ter "miserere nobis”!
Pois bem, uma destas iconoclastias se dava na hora de se tomar uma boa pinga. Uma Ypioca, uma Chave de Ouro, uma Douradinha... Cachaça no Ceará, é de lei. É coisa boa. Tem umas que são pura fuleiragem, mas é a exceção. A regra é a cachaça ser boa mesmo. Nestas horas, como acontecia às sextas-feiras no Bar do Orlando, bem na quina do muro do Mênphis Clube, antes da gente começar a tocar a roda de chorinho, samba, samba-canção ou seresta, a gente apelava:
– “Et tuorum orum!” Falava Jackson erguendo o
– “Et
– “Et Tamancus ejum!” Respondiam
E
Era como se ele, ali, contemplasse o
A
Jesus que nos desculpasse porque, o Pe. João... Nem a pau!
Em
.x.x.x.
Nenhum comentário:
Postar um comentário